Martin Scorsese explica por que mãe! foi mal julgado

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10
outubro
2017
Martin Scorsese explica por que mãe! foi mal julgado

O lendário diretor Martin Scorsese é crítico sobre a influência excessiva das notas do Rotten Tomatoes e Cinemascore, acrescentando que “filmes bons de cineastas reais não são feitos para serem decodificados, consumidos ou compreendidos instantaneamente”.

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Essas empresas e agregadoras de notas estabeleceram um tom hostil aos cineastas sérios – até mesmo o nome Rotten Tomatoes (“Tomates Podres”) é insultante. E como as críticas escritas por pessoas apaixonadamente envolvidas com o conhecimento real da história do cinema foram gradualmente desaparecendo de cena, parece que há cada vez mais vozes envolvidas no julgamento puro. Pessoas que parecem ter prazer em ver filme e cineastas rejeitados, demitidos e, em alguns casos, rasgados em pedaços. Não muito diferente da multidão desesperada e sanguinária que aparece nos minutos finais de mãe!, de Darren Aronofsky.

Antes de eu assistir mãe!, eu estava extremamente perturbado por todos os julgamentos severos ao filme. Muitas pessoas pareciam querer definir o filme, encaixá-lo em algo, achar desejável e condená-lo. E muitos pareciam ter alegria no fato do filme ter recebido nota F no Cinemascore. Isso realmente se tornou uma notícia – mãe! foi “esbofeteado” com o “temido” F do Cinemascore, uma terrível distinção que já foi recebida por filmes dirigidos por Robert Altman, Jane Campion, William Friedkin e Steven Soderbergh.

Depois que tive a oportunidade de assistir mãe!, fiquei ainda mais perturbado com essa pressa para o julgamento, e é por isso que queria compartilhar meus pensamentos. As pessoas pareciam estar fora de si, simplesmente porque o filme não podia ser facilmente definido ou interpretado ou reduzido a uma descrição de duas palavras. É um filme de terror, ou é um comédia sombria, ou é uma alegoria bíblica, ou é uma fábula cautelosa sobre devastação moral e ambiental? Talvez um pouco de todas essas opções, mas certamente não é apenas qualquer uma dessas categorias.

É um filme que precisa ser explicado? E a experiência de assistir mãe!? É tão tátil, tão lindamente encenado e atuado – a câmera subjetiva e os ângulos inversos do ponto de vista, sempre em movimento… o design de som, que vem ao público de todos os cantos e o leva ao mais longo e profundo pesadelo… o desdobramento da história, que gradualmente torna-se cada vez mais perturbadora à medida que o filme avança. O horror, a comédia sombria, os elementos bíblicos, a fábula cautelosa – estão todos lá, mas são elementos da experiência total, que engloba os personagens e os espectadores junto com eles. Apenas um cineasta verdadeiro e apaixonado poderia ter feito esse filme, que eu ainda estou experienciando semanas após ter assistido.

Os bons filmes de cineastas reais não são feitos para serem decodificados, consumidos ou compreendidos instantaneamente. Eles nem sequer são feitos para serem curtidos instantaneamente. Eles são feitos apenas porque a pessoa atrás da câmera teve que fazê-los. E como qualquer pessoa familiarizada com a história dos filmes sabe muito bem, há uma lista muito longa de filmes – O Mágico de Oz, A Felicidade Não Se Compra, Um Corpo Que Cai e À Queima-Roupa, apenas para citar alguns – que foram rejeitados quando lançados e que depois tornaram-se clássicos. As avaliações do Rotten Tomatoes e Cinemascope desaparecerão em breve. Talvez eles sejam substituídos por algo ainda pior.

Ou talvez eles desapareçam e se dissolvam à luz de um novo espírito de alfabetização cinematográfica. Enquanto isso, os filmes criados apaixonadamente como mãe! continuarão crescendo em nossas mentes.

Artigo completo (em inglês) aqui

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